Fantasmas

Não tenho opção se não crer que há algo desregulado em meu organismo. Tenho total clareza do valor das minhas conquistas e ao mesmo tempo, uma facilidade inexplicável para destruí-las.

Ouço que é só fazer, porém, não mais consigo. As faixas dessa camisa de força me enlaçam sem que eu possa afrouxar. Dói a cabeça, o olho de tanto chorar, os ombros por tentarem equilibrar o peso que nem sabe de onde vem. Meu corpo sempre sofre. Quando o estômago pesa, alimentar é difícil. A ausência responde à dor. 

Quebrar coisas me quebra ainda mais por dentro, mas ela não entende. Por um lado, fico feliz que ela não saiba o que é conviver com essa dor. Por outro, o desespero de perdê-la por falta de jeito me corrói ainda mais. Ela não sabe que o que ela chama de apego às coisas é na verdade um resquício dos meus cacos recolocados em busca de sentido. Todo aquele furacão passou e eu ainda não consegui recuperar a mim mesma. Cheguei muito perto. Ela segurou minha mão. Mas ainda faltam partes tão importantes e que eu não sei se um dia voltarão. Eu não gosto de ser triste. Eu tenho medo.

E se eu nunca mais voltar?

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