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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Bússola

Ei amor, eu não sabia que seria no “fim” que saberia escrever com tanta clareza sobre você. Terminar esse ciclo doeu um pouco menos não só porque fomos acabando em doses, mas porque acredito que o ‘a gente’ não acabou. Mudou de fase. Vou me segurar um pouquinho nessa ideia, vai fazer bem pra mim.  Não posso te prometer que a gente realmente vai voltar. Não posso te prometer que daqui algumas luas você vai dormir no aconchego da minha cama de novo. Mas dentro de mim, eu carrego a confiança de acreditar nisso. Acredito que existe uma versão nossa ainda mais linda esperando ali na frente a gente se reencontrar. Acredito que os melhores sonhos que a espiritualidade tem pra nós ainda vão acontecer, quando for a hora certa. Eu te disse que abriria espaço pra um novo amor, pra conhecer outras pessoas (e vou) mas o que eu mais espero é ainda te sentir cheirando meu pescoço e em seguida suspirar. É ver pelo cantinho do olho o seu sorriso espalhando no rosto ao me abraçar. Aquele abraço que ...

Assumida

Minha linda, algum tempo atrás você me disse que gostaria de receber um livrinho com os meus textos sobre nós e na ocasião eu notei: não sabia escrever sobre o amor. Sei escrever robustamente sobre ilusões, decepções e amores platônicos não correspondidos. Mas sobre esse que eu sinto, ainda não. Notar isso foi uma dor que nem sabia que morava em mim. Eu amo você de um jeito que ainda não aprendi a colocar em palavras. Não da forma “rebuscada” como eu sempre narrei minha vida. Mas meu sentimento não é pequeno. Minhas vontades, maiores ainda. E eventualmente me vejo desajustada, lutando contra meu relógio mental que tenta acompanhar (controlar) o processo que me pede justamente o contrário: leveza, calma, fluir. Porque na verdade, o amor gosta de coisas simples. Você tem um coração tão puro e tão lindo que eu sempre agradeço a Deus por ter te colocado na minha vida, ao mesmo tempo que sofro querendo correr para ter logo o melhor para te oferecer. Então fico triste toda vez que noto ainda...

Anacrônica

Eu sinto o tempo escorrendo entre meus dedos Como areias movediças dentro da ampulheta  Eu sinto muito E eu gostaria às vezes de sentir menos, de me sentir normal Sentir o tempo entre os dedos é um sentimento físico porque ele corta um pouco Ora chego muito cedo, ora parece que já cheguei tarde Será que um dia estarei sincronizada com ele? Ou é de grandeza tal que nunca aprenderei a decifrá-lo? As pessoas se surpreendem ao saber minha idade. Parece que eu roubei um segredo que é precioso para muitos. Pra mim, espero que seja só uma chance de poder viver outras coisas. Como se eu ganhasse um bônus pra resolver aquilo que ainda não pude.  Meus dedos são longos, mas até mesmo eles não conseguem alcançar os seus desejos. Como aquele desenho que fiz na adolescência tentando em vão abraçar o mundo, sem braços longos o suficiente e nem pés para caminhar. Não vejo sentido em sentir tanto. Como se as feridas que eu carrego não fossem somente as minhas, mas de toda uma sociedade. E acho...